5 de abr de 2012

Morte que traz vida

Por que e pra que comemoramos a Páscoa?

A Páscoa é uma comemoração cristã estabelecida desde os tempos do Antigo Testamento, quando ainda nem se conhecia o Cristo. Desde o pecado original, o Senhor mostrou ser necessário derramamento de sangue para que nosso pecado fosse coberto. Quando Adão e Eva, após desobedecerem a Deus, viram que estavam nus, o Senhor fez para eles vestimentas de pele. Ora, algum animal foi morto para que se aproveitasse sua pele. 

A Páscoa em si foi estabelecida no lindo capítulo 12 de Êxodo. O povo hebreu estava escravizado no Egito, e Deus ordenou que ele fosse liberto de seu cativeiro. Como o coração de faraó foi endurecido e ele não permitiu a saída dos hebreus, Deus mandou 10 pragas sobre o Egito a fim de mostrar ao povo o poder do Grande Eu Sou. A décima praga (morte dos primogênitos) trouxe a simbologia da Páscoa: Aqueles que verdadeiramente confiassem em Deus para sua libertação deveriam matar um cordeiro sem defeito e usar seu sangue para passar nos umbrais e na verga das portas de sua casa. Deveriam também fazer um jantar com a carne assada desse cordeiro, ervas amargas e pães sem fermento (versos 7 e 8) e comer prontos para a partida: pés calçados, lombos cingidos e cajado na mão. A meia-noite, o Espírito do Senhor passaria pela cidade. As casas que tivessem suas portas marcadas pelo sangue do cordeiro ficariam imunes à praga (vs. 13), mas naquelas em que não fosse encontrado esse sinal de confiança no Senhor, seus primogênitos morreriam (desde os primogênitos dos filhos até dos animais).

Fico imaginando como estaria o coração das crianças e jovens naquela noite. Muitos devem ter perguntado a seus pais, várias vezes ao dia, se já haviam passado o sangue do cordeiro em sua porta. Quanta ansiedade! Visto que faraó não cria em Deus, dá pra deduzir que ele não selou sua casa com sangue, e obviamente, seu filho mais velho morreu. Na verdade, a Bíblia diz que não havia casa egípcia sem mortos (vs. 30). Até os dias de hoje, anualmente os judeus procuram comemorar a Páscoa do mesmo modo: cordeiro, pães asmos, ervas amargas, sangue... para lembrar de quando foram libertos da escravidão do Egito.

Nós cristãos, que cremos ser Jesus o Messias tão aguardado, não fazemos sacrifícios de animais por nossos pecados, pois o derramamento do sangue de Cristo é eterno e substitui o ritual de matança animal (Hebreus 10). Porém, nós também comemoramos nossa libertação do Egito, do mundo, do pecado. Nossa vida está selada pelo sangue do cordeiro, Jesus Cristo, que tira o pecado do mundo (João 1:29). Assim, a morte não passa mais pela nossa vida e podemos viver eternamente ao lado do Senhor, visto que Ele mesmo não permaneceu morto, mas ressuscitou ao terceiro dia. Esse é o domingo de páscoa.

Deus estabeleceu duas ordenanças à igreja: O batismo e a celebração da ceia do Senhor. No batismo, mostramos que nos identificamos com a morte e ressurreição de Cristo. E a santa ceia é a nossa "Páscoa fora de época", visto que sua razão de existir é recordar a morte de Jesus através da simbologia do pão e do vinho, e em consequência, sua ressurreição (I Coríntios 11:26). Em muitas igrejas, em algum momento da cerimônia, os crentes declamam frases como "Maranata!" ou "Vem logo, Senhor Jesus!" Pois, na volta de Cristo, os corações marcados pelo sangue do cordeiro, aqueles que tiverem sido selados pelo Santo Espírito serão identificados por Jesus e levados para viver eternamente com Ele (Efésios 1:13-14). Oh, que grande esperança! 

Infelizmente, hoje, elementos originais da Páscoa como o pão asmo, a cruz, o túmulo, o vinho e o cordeiro foram substituídos por chocolate, pão de coco e peixe. O brilho do precioso sangue de Jesus foi obscurecido por montanhas de ovos doces em embalagens festivas. E a Sua vitoriosa ressurreição ofuscada por comemorações onde exaltam coelhinhos. Sim, nós também gostamos de chocolates, mas dói no coração a predominância desses elementos que nada têm a ver com a Páscoa original.

Que o velho fermento seja lançado fora e a nossa identificação seja com Jesus (I Coríntios 5:7). Desejamos a todos uma excelente Páscoa, com seus corações agradecidos e voltados a Deus. Lembrando de Sua morte e ressurreição e do dia em que fomos escolhidos, encontrados por Jesus e lavados por Seu sangue. Pois somente esse fato tornou possível nossa salvação e a genuína comemoração pascal.

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